O design sem censura

A propósito dos 40 anos do Design em Portugal, a conferência da passada terça-feira, contou com a presença de José Brandão, Aurelindo Jaime Ceia, Victor Almeida, Bárbara Coutinho e Victor dos Reis, um dos momentos que talvez melhor marcou a minha passagem por esta licenciatura.

O Design, sem medos nem rodeios, foi contado na primeira pessoa. Como surgiu, o impacto que teve e que hoje tem, o que foi a primeira licenciatura da área em Portugal, o que ela significou, e ainda uma conversa assente no livro José Brandão, Designer. Um livro que desde já achei interessantíssimo, ao nível da sua estruturação de conteúdo e a nível gráfico (algo que a Gulbenkian já nos vem habituando).

De volta à conferencia houve algo que em primeira mão despertou logo a minha atenção: Aurelindo Ceia e José Brandão sentados na mesma mesa. Tal como eu e a Raquel Fonseca o fizemos a propósito de um exercício para a cadeira da Historia do Design III, com o professor Frederico Duarte. Uma visão tanto sobre os seus percursos na década de 80 anos como o seu trabalho enquanto designers. Deixando as influencias e possíveis e paralelismo com o trabalho destes dois designers com outros de parte, houve algo mais importante que foram as questões que começar a surgir naquele momento. O que vou fazer aseguir? O que é necessário para ser Designer?

O que ficou após esta agradável conversa?
Muito ainda por aprender

Os jovens na sociedade

Não raras vezes, vemos estudantes na rua a protestar. A protestar contra as propinas, contra os exames, contra as aulas… Têm obviamente legitimidade e não podem esperar que venham os outros lutar pelos seus direitos se eles próprios não os fizerem. Não me parece é que consigam na sociedade a credibilidade de que necessitam, se continuarem a lutar só por si e nunca contra os problemas da sociedade.

As grandes evoluções das sociedades ocorrem com os jovens, sempre assim foi e continuará a ser. O caminho nunca é fácil, mas tem de ser feito. A sociedade por que hoje lutarmos será aquela em que viveremos no futuro. Aquela em que teremos ou não emprego, aquela em que educaremos os nossos filhos. Temos em Portugal bons exemplos da participação dos jovens na sociedade, com o 25 de Abril que hoje toda a sociedade reconhece como um grande passo para o país (com algumas falhas, é certo), dado pelos jovens. Noutros países temos outros exemplos como Tiananmen, ou agora as manifestações na Venezuela. E não estou a apelar a nenhum golpe de estado nem sequer a chamar o que quer que seja aos nossos governantes, isso deixarei para outros locais.

Estou apenas a dar exemplos de intervenção efectiva dos jovens, nos problemas que afectam a sociedade e não só naqueles que lhes são específicos. É esse o caminho para a credibilização da classe estudantil, mas também para um país melhor. A participação não terá de ser nas ruas, pode ser em qualquer local de intervenção cívica, mas tem que deixar de ser egoísta e ser cada vez mais uma luta pelas causas da sociedade.

Apelo então às Associações Académicas para que mais façam o seu melhor, não só por um melhor Ensino Superior, mas por um melhor Portugal.

Nuno Filipe Carranqueira
(Curso de enfermagem da Escola Superior de Saúde de Leiria)
2010, Expresso

Coimbra não é vossa

 

Para quem não está a ver como é a vida na cidade que viu nascer a tal de praxe, passo a narrar. Quinze dias do ano em particular, e muitas das terças e quintas em geral, as leis por aqui não são iguais para todos.

 

Para quem não está a ver como é a vida na cidade que viu nascer a tal de praxe, passo a  narrar. Quinze dias do ano em particular, e muitas das terças e quintas em geral, as leis por aqui não são iguais para todos.

Hordas de bêbados atravessam as ruas a qualquer hora da noite berrando, no intervalo de elas  em coro exigirem mais caralho que as foda e eles mais cona que os satisfaça, Coimbra é nossa. Todas as regras sobre ruído e manifestações públicas são mandadas às malvas com a cumplicidade amedrontada da PSP, Polícia Municipal e Ministério Público.

Este estado de excepção leva a que o sono dos indígenas e aqui emigrantes seja um direito perdido num território com  uma constituição à parte, a que podíamos acrescentar  a esterqueira em forma de vómitos e detritos vários que temos de suportar na manhã seguinte. Mas é considerado normal numa cidade onde por exemplo o saque e a vandalizaçãonão são perseguidos, um longo historial de burlas nas contas  das festas académicas não é investigado, um simples roubo no Museu Académico é narrado ao contrário.

Com toda a naturalidade está convocada uma manifestação para 2ª feira  pressionando um debate televisivo e podem ter a certeza que nem foi cumprida a lei nem será impedida, como sucederia se fosse de outro teor. Recentemente os dirigentes da AAC pura e simplesmente arrendaram o centro da cidade aos seus confrades portuenses que provocaram desacatos sem que se visse um só polícia nas ruas. No dia seguinte aos cortejos da Queima das Fitas bandos alcoolizados invadem as escolas secundárias, entrando nas salas de aula onde até podem estar miúdos de 12 anos, e nem se vê a Escola Segura de prevenção.

Se há tradição que Coimbra não perdeu foi a do foro académico, que tinha guarda (os arqueiros), legislação e prisão própria, só que agora funcionando em regime de completa impunidade.

Questionar isto leva sempre com a eterna resposta: Coimbra vive dos estudantes. Nem é verdade, vive sim da Universidade que é muito mais do que isso, nem isso foi necessariamente um benefício já que teve custos ao longo da História por exemplo no desinvestimento industrial (a cidade do saber era suposto não ter fábricas), e sem querer entrar na especulação do como teria sido se o rei João II não a tivesse trazido para a cidade do Mondego (precisamente porqueem Lisboa eram muitas as queixas contra os estudantes e suas praxes), a sua localização geográfica privilegiada teria permitido outras alternativas. Convém recordar que aqui se fundou Portugal e houve o mais parecido com a primeira capital do reino.

Se aproveito o facto de finalmente as ditas praxes serem objecto de discussão nacional para denunciar isto? aproveito, sim senhor.

A tal tradição só o era realmente em Coimbra (e foi-se reinventado como muito bem explica o Rui Bebiano) e, proclamou o Dux* local, dela depois se fizeram “cópias mal feitas” pelo país fora, dando ideia de que a culpa foi da fotocopiadora.

Não é bem assim. Desde a década de 90 que progressivamente as fotocópias entraram em Coimbra e foram objecto de estudo pelos energúmenos locais como ele muito bem sabe: a prática erótica de depilar testículos não tem tradição conhecida, é apenas um exemplo que veio a público porque correu mal e, mais grave, ocorreu num julgamento, essa cerimónia secreta tão peculiar e de que tanto se ouve falar pela cidade, mas que anda envolta num pacto de silêncio.

Coimbra não é vossa. Há muito que o assunto praxe me desinteressou, não apanhei na faculdade mais que os trajes e o sossego nas bibliotecas por alturas da Queima. Pregavam-se algumas partidas aos novos alunos, com piada e sem qualquer humilhação, o facto de não me meter no assunto não impediu que só quando finalista tivesse conhecido os meus colegas de ano porque sempre acompanhei sobretudo com os mais velhos, achei sacanita esquecerem-se de mim para os jantares de curso porque não tinha ido no cortejo e recusara o meu nome no livro respectivo, mas paciência. Coimbra era de todos nesse tempo, em que a distância entre o futrica e o estudante era mínima e entre todos se brindava nas tascas, e em que o Pratas aprendia a fazer cervejão comigo e com o Mário da Costa.

Coimbra não é vossa. É do Manuel que se tem de levantar para que vocês almocem, da Emília que precisa de ir cedo para o mercado para que vocês jantem, do Francisco que tem de sair às 6 com o autocarro que vos vai levar à faculdade, da Fernanda médica que vos trata os comas alcoólicos,  e de quem souber viver connosco, que sempre vos soubemos receber sem pinturas, ordens, insultos e humilhações.

Coimbra não é vossa e está a ficar muito farta de vos aturar, sei do que falo porque antes de doutor fui e morrereifutrica, vi como lentamente aquilo que começou numa boa evoluiu para rituais violentos, repelentes, que envergonham os meus amigos envolvidos na restauração da praxe em 1979. Sim fui anti-praxista sempre com amigos praxistas, porque sempre nos entendemos mesmo discordando sobre o seu regresso, porque tínhamos e temos em comum o que mais vos falta: amar Coimbra, com os seus imensos defeitos mas humildemente sem espaço no coração para as suas pequenas virtudes, e sem precisarmos de o berrar aos outros, que o vinho serve para conversar, discutir, despertar ideias.

Coimbra pode voltar a ser vossa, isolem os canalhas, aprendam a respeitar primeiro os vossos colegas, e depois a todos nós. Vão ver que não dói nada.

 

Artigo de João José Cardoso, publicado no blogue Aventar.

“Não há boa praxe ou má praxe, praxe há só uma”

Bruno Moraes Cabral, realizador do documentário “Praxis” – premiado no Doclisboa 2011 e recentemente transmitido na RTP – diz ao esquerda.net que não faz sentido falar de “integração” quando todas as praxes se baseiam em valores de dominação “contrários ao que deviam ser os princípios da universidade”.

 

Nas praxes que filmaste em vários pontos do país, que métodos encontraste de “integração” dos estudantes na vida universitária?

As iniciativas das praxes eram sempre muito semelhantes e isso foi surpreendente: estar “de quatro”, constantemente insultado, fazer flexões, olhar sempre para o chão, gritar em uníssono que o nosso curso é o maior e sexualmente dominante… estas são as práticas generalizadas das praxes.

Podem eventualmente existir outros momentos de menor violência ou até de confraternização, mas a ideia de que o veterano é o dominador e o caloiro o dominado é intrínseca à integração como se faz atualmente. Estes valores são contrários aqueles que deveriam ser os princípios da universidade: a democracia, o respeito, um espaço de abertura e possibilidades. Do ponto de vista dos estudantes, deveria ser um lugar de experiências de insubmissão e de rebeldia, sobretudo no contexto da sua mercantilização e do desinvestimento do Estado na área.

Apesar do “Praxis” ter sido premiado no Doclisboa, foi preciso acontecer uma tragédia para ele chegar ao grande público, com a transmissão na RTP. Como interpretas este adormecimento da sociedade em relação ao fenómeno das praxes?

A sociedade tem muitas responsabilidades, porque foi conivente com a generalização da praxe pelo país todo e com a sua instituição como forma dominante de integração. De fora, a praxe foi geralmente vista como uma mera brincadeira estudantil, mesmo quando os seus excessos saltavam à vista. As Universidades também foram complacentes, porque muitas direções têm evitado pronunciar-se para manter boas relações com as comissões de praxes e os veteranos. E os estudantes, ao se integrarem pela praxe, reproduzem nos anos seguintes a sua experiência, porque ninguém os confronta, nem existe esta reflexão acerca de alternativas.

Nos vários debates que fiz, depois de verem o documentário, diziam sempre “na minha universidade não é assim”, mesmo que tivesse sido filmado na sua universidade. Havia obviamente uma incapacidade de olhar e de auto-crítica. Espero que a luz seja rapidamente feita sobre o que realmente aconteceu no Meco, mas independentemente desta tragédia, já houve muitas vítimas de praxes e já deveríamos ter tido este debate há muito tempo.

No debate sobre o documentário realizado na Aula Magna em 2011, os argumentos dos defensores da praxe foram muito diferentes dos que estão a ser esgrimidos no debate atual. Que explicação encontras para isso?

Efetivamente na altura esses debates eram muito marcados ideologicamente. Até há uma entrevista ao Dux de Coimbra no Jornal Universitário “A Cabra” em Abril de 2012 em que ele afirma “A praxe é hierárquica, é machista, é sexista. São características intrínsecas à praxe da Universidade de Coimbra e quando isso deixar de existir, deixa de ser a praxe da UC.”

Eu ouvi repetidamente que a praxe é boa porque nos ensina a obedecer, que temos de sujeitar-nos ao que os mais velhos dizem, aos nossos patrões… isso faria todo o sentido num exército, que é organizado para obedecer a ordens, nunca numa universidade. Perante a atual tomada de consciência da sociedade, os argumentos dos defensores desta ideologia mudam para tentar salvaguardar ainda estas práticas. Mas não há boa ou má praxe, tal como ouvi num destes debates, “praxe há só uma”, e temos de dar lugar a uma alternativa já no próximo mês de setembro.

 

Esta entrevista é  retirada do site esquerda.net

Primavera de Praga

Jan Palach, a student of the Faculty of Arts, Charles University in Prague who set himself on fire in Wenceslas Square on 16 January 1969. By this shocking act, he wanted to arouse the Czech public from lethargy following the August invasion of Czechoslovakia

The Meaning of Act

“Palach’s self-immolation is impalpable, substandard. It defies common ethical evaluation. It evokes great emotions, many questions, debates and often opposing assessments. He is both condemned and glorified.”

Jindřich Šrajer (2009)

Several decades have passed since January 1969 but Jan Palach’s self-immolation still evokes thinking about fundamental issues of human life. Many people tried to explain the meaning of his self-immolation from various points of view. Their explanations often reflect the contemporary social situation that influenced their perception. Naturally, the specific interpretations are based on different religious, philosophical, political or ethical views. Many of them attempted to answer the fundamental question related to Palach’s self-immolation – does man have a free will to make decisions about his life and can he sacrifice it for the others if he decides to do so in order to wake them from their resignation and make them act according to his political plan? We look at some of these interpretations as examples of possible thinking about Jan Palach and his legacy.

Aesthetician and critic Jindřich Chalupecký distinguished two approaches to Palach’s self-immolation. The first accepted the facts as they were (or appeared to be); this approach was emotional, irrational and direct. The latter interpreted the act vicariously and rationally; it brought and admitted conspiratorial explanations, including alleged deception of the naive young man as it was falsely described by Communist MP Vilém Nový. However, Chalupecký emphasized that the reaction of most people took place according to the scenario of primitive rituals, with sacrifice of a young innocent man playing the main role. There was no room for rational thinking. This fact proves alleged last words of Jan Palach in hospital which were in fact intentionally put together from his various isolated and difficult-to-understand statements. Moreover, the smooth result contradicted to his political requirements.

Those who attended the silent funeral procession on 25 January 1969 were obviously very pensive. None of them attacked the government, despite the appeal in Palach’s farewell letter signed as “Torch No. 1”. “Palach’s self-immolation broke the shell of modern rationalization and stripped the deep foundations of archaic consciousness,” Chalupecký described the reasons for this paradox. In this context, the self-immolation can be interpreted as an act violating the causality of historical events. Compared to self-immolation, the urgency of everyday political conflicts is absolutely insignificant.

Many interpretations of Palach’s self-immolation have religious dimensions transcending the contemporary political horizon. According to them, the meaning of his protest needs to be assessed not only through the immediate failure concerning enforcement of the raised demands or the failure of the then Czechoslovak society but it must be seen primarily as a timeless call to live a full life. It is quite characteristic that philosopher Ladislav Hejdánek saw Palach’s sacrifice as “a symbol of the fact that we should sacrifice our whole life to things that should happen, should be done, must be done for people around us, for the community, for the whole society”. In his speech delivered in the Olšany cemetery during Palach’s funeral, evangelic priest Jakub S. Trojan placed Palach among great religious leaders, such as Jan Hus, Jan Amos Komenský, Jeroným Pražský, Mahatma Gandhi, Albert Schweitzer or Martin Luther King. In his opinion, it was “an act of pure love” that “will forever be an encouragement to people who are tired or weak, it will be their hope”. A Catholic priest and university professor Tomáš Halík takes a similar approach. He perceived Palach’s legacy as a commitment to moral integrity and not surrender to the “normalization” regime.

Nevertheless, Palach’s self-immolation was also criticised by various people believing that this form of protest and its consequences are not compatible with European traditions. These critics usually see suicide as an unacceptable way of leaving the human world.

These are the arguments of two Palach’s critics who – ironically – proceed from different ideological premises. Anarchist Ondřej Slačálek refused Palach’s self-immolation as an act of suicide that cannot be followed. “Ethical assessment of acts of individuals in the western world is based on the fact whether or not they should be followed,” he said. In his opinion, Palach’s protest cannot be seen as a real form of resistance. Moreover, he described the efforts to commemorate Palach’s legacy as attempts to hide behind “deathly icons”. Josef Mašín who participated in anti-Communist resistance refused Palach’s self-immolation with similar words when he stressed its military perspective: “Imagine military troops or resistance groups that go into battle armed with cans of petrol or are ordered to kill or cripple themselves when encountering the enemy.”

Salesian priest Jindřich Šrajer who looked at the act from the perspective of Christian ethics showed that it was neither a classic suicide nor martyrdom in Christian sense but he emphasized the importance of Palach’s self-sacrifice for the others. He also recalled that his legacy still appeals to many people around the world. At the same time, he expressed doubts about appropriateness of this form of protest: “Considering Palach’s personal motives and his ideal as well as the historical and culture-political context and the impact of his act, we can call it a heroic act of a (proxy) self-sacrifice. His act is to be appreciated but in terms of general respect for life, it cannot be generally recommended to follow.”

texto retirado: http://www.janpalach.cz/

The Illuminator

Disclaimer: Projecting on public and private surfaces without permission is illegal. Always research the laws in your area and obtain permission before projecting in public.

In 2014 The Illuminator Art Collective, an activist projection group, hit the streets of Montreal to mark the two-year anniversary of theQuebec student protests by projecting videos around the city. I spoke with collective member Chris Rogy – a former WITNESS intern, who discussed how video projection can be used as part of protests and civic movements. Chris also shared practical tips and lessons-learned on how to set up and run a projector in various settings.

Sarah S. Kerr: What kinds of videos did you project to commemorate the Quebec student protests? How was it received and how did it contribute to the larger protest effort?

Chris Rogy: In 2014, we projected images of protesters throughout the city of Montreal in the areas that were significant to the Quebec student uprising, like the Université du Québec à Montréal (UQAM), where thousands congregated in 2012. Most people were surprised and delighted to see it, as it brought back feelings of being in the space during the time of the demonstrations. Others outwardly spoke their criticisms on the issues, but having this conversation is the point of publicly projecting images. We need a critical dialogue, and the potential use of public space to be a meeting ground of art and politics is essential for me. Whether as a result of privatization, corporate ownership, media advertising or social media — this meeting ground is diminishing.

A new video by The Illuminator Art Collective documenting their projection work in Montreal. How was The Illuminator Art Collective formed? Why did you choose projection as a medium to share your message?

The Illuminator Art Collective is a group of like minded individuals – artists, activists, technologists, filmmakers and a biologist – who came together around the banner of Occupy Wall Street in New York City in February and March of 2012. The collective formed following the popular‘bat signal’ projection onto the Verizon building seen by thousands of marchers crossing the Brooklyn Bridge on the night of the three month anniversary of the encampment and simultaneous eviction of the occupiers in Zuccotti Park (the epicenter of the movement).

Projections in public are not something new, but in the past they were less widespread. For decades, artists like Krzysztof Wodiczko have been intervening in the public sphere with projections in deeply meaningful ways. For me, our guerilla projections circumvent a media infrastructure that has been failing to represent particular issues in the public interest. They provide an opportunity for us to reach audiences outside of our networks and engage on topics we care about. Following our projections we then harness social media to further disseminate our messages online.

What’s more is that in New York City, the legal boundaries on projections are not completely set. Members of our collective were recently arrested for “illegal posting of advertisements”after we protested against the Metropolitan Museum for accepting money from David Koch to build new fountains in front of the museum. However, “illegal posting of advertisements” is defined as permanently affixing materials to property that brings clear financial benefit to the offender. We neither permanently affixed nor commercially benefited from our action, so the case was thrown out just before we were made to appear in court. That said, the police did impound our equipment for months, which was difficult.

What do activists need to put together a projection set-up? Do have any you equipment recommendations?

To accomplish something like one of our recent projections withAdbusters at the American Economic Association Conference in Boston, requires a projector of about 12,000 to 15,000 lumens. Factors worth noting include surrounding ambient light, projection surface, throw (the distance and location you project from), lens and, of course, lumens (the amount of light emitted from a source). Site-specificity is another important design element. Depending on what the project is, you may be successful with all sorts of projectors that are much less powerful than these. It all depends on what you want and your target audience.

In order to power these projections we use either a deep cycle battery tethered to an inverter or the Honda eu2000i (2k watts) handheld generator. Always be sure the output corresponds to what you’re powering. On projectors with detachable lenses, like the one used in theAdbusters projection, you need to determine which lens works best. Typically you have a choice of standard, wide and long throw lenses with varying aspect ratios.

And then there’s the software. To create slides we use programs like Adobe Photoshop, After Effects and Final Cut, and to project our images we use programs like madmapper, modul8, VDMX or just run Quicktime! One of our members, Grayson Earle, occasionally writes his own software that we also use, which is available for free online.

Illuminator_Project_4

What types of images or videos work well or don’t work well for projection?

The image that you want to read should always be white! Within that there are mid tones, but the higher the contrast, the better things will read. As a rule of thumb, the contrasting colors black and white read best, and the more intricate you want your image to be, the more advanced a projector it will require.

Do you have any general “Do’s and Don’ts” for activists interested in projection?

Please, absolutely DO NOT try to project before the sun has properly set, or if you’re NOT in a controlled dark space. You wouldn’t believe the requests we get for projecting during the daytime, and I’ve experienced other requests in bright warehouses too. If you plan to project as part of a demonstration, prepare to interact with the police. If you are in a country with limited speech, always consider your safety first and foremost. And always, always, always test your gear before you leave!

If other activists wanted to learn more about projection, where could they go? 

We are currently searching for a residency or grant that will enable us to focus our attentions and skills on several projects. One of the projects is to build a Projection Action Network that would be a meeting place to exchange ideas with other organizations we’ve gotten to know over the years. This project would help to centralize our resources, as well as help us share lessons and ideas from our experiences. If anyone reading this has questions they’d like answered, I encourage them to reach out to us at info@illuminator.org. We usually receive a lot of requests, but we do our best to answer them as promptly as possible!

All images courtesy of Kyle Depew and The Illuminator Art Collective.

A palavra e pronto.

Recentemente, numa das muitas deambulações cibernautas, deparei-me com um jovem a citar Sophia de Mello Breyner Andersen , acerca da importância e lugar da palavra. Onde fica a palavra ? É uma boa questão. A sua importância toma o rumo a que cada um lhe dá. 

“Recordo-me de descobrir que num poema era preciso que cada palavra fosse necessária. As palavras não podem ser decorativas, não podem servir para ganhar tempo até ao fim do decassílabo. As palavras têm que estar ali porque são absolutamente indispensáveis.” 

Sophia de Mello Breyner Andersen

Em cada lugar , a palavra assume a sua posição. Torna-se o vestígio de um som ou de um acto. E como tudo, aparenta uma intenção. O comunicar acaba por ser essa junção. Recordo-me do primeiro dia na licenciatura em design de comunicação. Todos sentados no chão , cheios de fraquezas e medos ouvia-mos atentamente: “O que vem fazer aqui é usar a palavra. É comunicar.  construir melhor o que já está construído. O que é o Design?”. Foram estas as palavras do primeiro dia . “ Isto é difícil. Preparem-se. Estes serão os vossos professores. E vocês são os melhores que conseguiram entrar na licenciatura de design de comunicação, com a media mais alta. Mostrem o que valem”. E isto foi um inicio de uma nova fase, nunca mais foi fácil olhar para as coisas com indiferença. Tudo passou a ter um sentido e uma intenção, nada jamais era por acaso. O primeiro contacto com o design começara. Ainda hoje, passados 3 anos continuo a questionar o que é o design, mas uma coisa eu tenho a certeza, o design continua a ser um tempo de crise.

Torna-se cada vez mais difícil ocupar um espaço. Em parte por acção do design atuar como um meio de consumo, e não como um papel importante.Cada um come o que quer, isso é uma verdade. Mas tornou-se Tão fácil quebrar barreiras e deixar-se levar por qualquer intervenção e dizer isto “sim é design”. O resultado desta conclusão dá-se em grande parte porque as pessoas não conhecem, não sabem e não percebem o que é o design. E isso sim é um problema do design. Como é que podemos querer que nos entendam, se as pessoas não sabem o que significa o que fazemos? O que pensará um estudante de ciência  do design? ou um morador de 80 anos na buraca? Ou um jovem de 40 anos no seu condomínio da lapa?

Será o Design acrescentar o “-ia portuguesa” nas imagens identitárias do comercio local? Ou pintar as paredes de preto e desenhar a giz vaquinhas numeradas como partes do hamburguer que irei comer? Será uma maneira de estar na vida? será um mindset? Será ser cool..ser in…? De certo que para mim isso são tudo questões ignorantes, mas percebo que as façam. Foram vírus que se impuseram na sociedade e fecharam cada ser no seu casulo. E tudo porque em 40 anos não se muda uma cultura , mas muda-se uma maneira de pensar. A expressão, tomou outras proporções. Existe uma ausência na solidificação do vocabulário, na discussão de matérias, no perceber português. E isto sim é o design e a palavra.

Marta Gaspar